SAPATILHA ESPÍRITA



“... Sim, certamente o Espiritismo abre á arte um campo novo, imenso e ainda inexplorado; e quando o artista reproduzir o mundo espírita com convicção, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações, e o seu nome viverá nos séculos futuros, porque às preocupações materiais e efêmeras da vida presente, substituirá o estudo da vida futura e eterna da alma.”
Allan Kardec

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Artista e Responsabilidade


Se me permitem, gostaria de levantar um aspecto com relação as conseqüências das imagens materializadas no palco. Temos falado das conseqüência para o artista, gostaria de lembrar das conseqüência para a platéia; bem como da responsabilidade deste (o artista) por tudo que marcou nas consciências que o assistiram. Primeiramente gostaria de refletir com a Doutrina Espírita, onde há relatos de espíritos artistas que retornam ao plano espiritual e ficam profundamente constrangidos com o resultado das imagens que deixaram plasmadas na Terra (Tolstoi, pelo que escreveu em”Ana Karenina” por exemplo), e igualmente envergonhados dos comentários que fazemos aqui na Terra de seus deslizes na vida privada (Choppin à Ivone Pereira).

Gostaria de juntar à esta reflexão o comentário tão conhecido que a Divina Comédia, de Dante Alighieri, tem inúmeros versos para descrever o inferno e o purgatório, e muito poucos para descrever o céu. Realmente meus irmãos, temos largo lastro de vivências de sombras e ilusões, o que nos torna mais fácil a “memória emotiva” destas situações.

Emmanuel nos diz que o artista colhe suas inspirações nos desdobramentos que realiza na espiritualidade, ou em suas vivências pregressas. Aonde temos colhido as nossas? Exorta também à compreensão ao psiquismo impressionável dos artistas.

Pensando como atriz…. Como é difícil não ceder ao desejo da platéia que nos assiste! No momento da apresentação se estabelece um vínculo inexplicável entre o ator e a platéia! O tempo para. Não existe mais neguem. Só aquela vida que incorporo e as vibrações dos que me assistem. Estas vibrações me enlaçam em cena e sou capaz de sentir cada desejo da platéia. Eles querem rir! Então eu os faço rir! Que prazer fazer rir! Eles querem chorar, eu os faço chorar! É como se eu fosse um sensível instrumento tocado pelas mãos que me assistem. As vibrações então vivenciadas nesta troca voltam para mim. Fixam em mim, começam a fazer parte do meu perispírito, interferem no meu psiquismo e acionam vinculações espirituais similares (boas ou más, de acordo com o teor plasmado). Esta vivência é repetida pelo número de apresentações. Isto fica comigo.

Agora as idéias que eu defendi (declaradas ou subliminares), imagens que eu acionei, sentimentos que eu provoquei em cada um da platéia ficam com eles: começam a fazer parte de seu mundo mental, penetram na intimidade dos seus pensamentos e podem funcionar como estímulos para comportamentos que desejam justificar ou endossar. Isto é responsabilidade minha!

Todo relacionamento demanda responsabilidade. O artista se relaciona com multidões. Pensando com Jesus… “O que escandalizar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor seria que pendurasse ao pescoço uma mó de atafona, e o lançassem ao fundo do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos. Por que é necessário que sucedam os escândalos, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo.

Ora, se a tua mão, ou o teu pé te escandaliza, corta-o e lança-o fora de ti.” Todos que sobem ao palco para plasmar seus compromissos com a Doutrina Espírita, sobem em nome de Jesus.

Chegando às minhas conclusões: Penso que o artista espírita deve ter profunda responsabilidade com a obra que cria e a repercussão desta obra nas consciência que vão “aprecia-la”.

Quem terá a coragem de abraçar o desafio de dar forma a imagens que promovam a evolução dos que os assistem? Que façam a maiêutica da Luz nos que estão na platéia? Que elevem seus pensamentos às belezas eternas?! O que será de nós se não abraçarmos as elevadas vibrações desta doutrina?

As platéias agora são outras… são de espíritos espíritas. Foi está platéia que nos foi direcionada nesta reencarnação (por injunção do nosso planejamento reencarnatório).

Muitas vezes não são os pequeninos que buscam novamente Jesus, agora no espiritismo? Por que não alimentar suas esperanças de crescer?! Se não são platéias espíritas nossa responsabilidade é maior, pois nossa postura falará pela causa que esposamos.

Citando novamente Emmanuel, em seus romances, este espírito descreve cenas terríveis (como a morte de Simeão em Há 2000 anos), mais em nenhum momento enquanto fazemos sua leitura caímos na sintonia, ao contrário, sublimamos, vivenciando o nível de testemunho de fé de Simeão por Jesus.

É uma história que é narrada por um espírito evangelizado, que não oculta as trevas, mas dá seu real valor diante da Luz. Alem de ter fixada em mim as vibrações dos meus personagens, ainda terei o ônus de responsabilidade da obra criada.

Chegou a hora de colhermos o ônus de uma obra que nos liberta, nos traz paz à consciência. Nova era! Era do Espírito na Terra!

Sugiro: Quando entrardes em cena, e a cortina se abrir, imagine… Sentado à primeira fileira, na cadeira central, esta Jesus.

O que ele acharia da tua arte?

De que valeria uma obra espírita se não tiver o peso de um passe.

Um grande abraço a todos!

Elaine (Santos/SP)

Fonte: Lista do Fórum da ABRARTE



quinta-feira, 17 de junho de 2010


Prezados irmãos artistas espíritas.

Informamos que ainda temos cartazes da Semana Nacional de Arte Espírita para distribuição para as cidades que ainda não têm. Fizemos a distribuição dos cartazes no Fórum, em Pedro Leopoldo, mas muitos ainda não pegaram.

Os companheiros que quiserem cartaz, por favor, encaminhem e-mail para mim (rogerio@neartes.org.br), informando a quantidade de cartaz e o endereço para remessa.

Vamos colaborar, divulgar, incentivar e fazer deste evento uma grande oportunidade de divulgação do trabalho da Abrarte e dos artistas espíritas.

Lembro que o cartaz que estamos distribuindo é o cartaz nacional, que já está impresso. Também temos (em arquivo) a arte do cartaz regional. Esse cartaz regional deve ser preenchido por vocês com a programação local e impresso em cada cidade.


É isso.

Beijos e abraços.

Rogério
NEA/Abrarte/Florianópolis

quinta-feira, 10 de junho de 2010


Olá, artistas espíritas!
Em breve temos um encontro...



IX Mostra Espírita de Dança - Oficina do Espírito

" Novas Formas de Ver: Nova Estética no Ser"

13,14 e 15 de Novembro

A Mostra Espírita de Dança é um evento cujo objetivo é reunir os grupos espíritas de dança de todo o Brasil, propiciando momentos de estudo, oficinas de aprimoramento artístico, troca de experiências.
É lugar de estreitarmos laços, de nos reencontrarmos e de conhecermos novos amigos.
É espaço para criação de novos grupos, surgimento de novas idéias e de muitas, mas muitas apresentações de dança. Cada uma com sua singularidade e riqueza.

Se você já participou deste evento, é hora de correr contra o tempo!
Se você nunca participou, antecipe sua inscrição o quanto antes!
São apenas 180 vagas... Muitas?!
Nããããoooooooooo...muito poucas...

]Os grupos são grandes e muitos comportam 30 bailarinos!!!!!

Quem quiser mais informações e acesso ao regulamento

da IX Mostra Espírita de Dança é só acessar o site:

http://mostraespiritadedanca.wordpress.com/


Ah...e tem mais!!!!
Durante a Mostra será oferecido o II Curso de Formação de Coreógrafos Espíritas - "Dançando com a Alma".
O Curso é direcionado aos que não fizeram o curso 2009.
O Curso acontece concomitante as atividades da Mostra, dessa forma, os que fazem o Curso de Coreógrafos não participam das oficinas e módulos de estudo da Mostra, apenas das apresentações que acontecem no período da noite.
Maiores informações serão encontradas no site:

http://mostraespiritadedanca.wordpress.com/



Um bom começo é LER atentamente o regulamento.
Mas, se ainda assim vocês tiverem dúvidas, não se apertem:

Dúvidas sobre a IX Mostra Espírita de Dança, é só encaminhar um email a Lyvia ou Lucas:
mostraespiritadedanca@hotmail.com



Dúvidas sobre o II Curso de Coreógrafos Espíritas -"Dançando com a Alma" é só encaminhar um email a Denize de Lucena - coreografoespirita@terra.com.br


Abraço fraterno a todos,
Nos vemos na Mostra!!!!


Fé, Esperança e Caridade
"Dançar pra Viver, Viver pra Dançar"

Daniela L. P. Soares
http://dancaespirita.wordpress.com/

terça-feira, 25 de maio de 2010

A Inspiração




A arte, sob suas diversas formas, é a expressão da beleza eterna, uma manifestação da poderosa harmonia que rege o universo; é a irradiação do Alto que dissipa as brumas, as obscuridades da matéria, e faz-nos entrever os planos da vida superior. Ela é, por si mesma, rica em ensinamentos, em revelações, em luz. Ela encaminha a alma para as regiões da vida espiritual, que é sua verdadeira vida, e a que ela aspira reencontrar um dia.
A arte bem compreendida é poderoso meio de elevação e renovação. É a fonte das mais puras alegrias; ela embeleza a vida, sustenta e consola nas provas e traça com antecedência para o espírito os caminhos do céu. Quando ela é sustentada, inspirada por uma fé sincera, por um nobre ideal, a arte é sempre uma fonte fecunda de instrução, um meio incomparável de civilização e aperfeiçoamento.
Porém, com bastante freqüência nos dias atuais, ela é aviltada, desviada de seu objetivo, subjugada a mesquinhas teorias de escola e é sobretudo considerada um meio de se chegar à fortuna, às honras terrestres. É empregada para lisonjear às más paixões, para superexcitar os sentidos e assim faz-se dela um meio de rebaixamento.
Quase todos aqueles que receberam a sagrada missão de encaminhar as almas para a perfeição esquivaram-se dessa tarefa. Tornaram-se culpados de um crime ao se recusarem a instruir e a iluminar as sociedades e ao perpetuarem a desordem moral e todos os males que recaem sobre a humanidade. Assim explicam-se a decadência da arte em nossa época e a ausência de obras fortes.
O pensamento de Deus é a fonte das altas e sãs inspirações. Se nossos artistas soubessem daí extrair algo, encontrariam o segredo das obras imperecíveis e as maiores felicidades. O espiritismo vem oferecer-lhes os recursos espirituais dos quais nossa época necessita para regenerar-se. Ele nos faz compreender que a vida, em sua plenitude, não é outra coisa senão a concepção e a realização da beleza eterna.
Viver, é sempre subir, sempre crescer, sempre desenvolver em si o sentimento e a noção da beleza eterna.
As grandes obras não são elaboradas senão no recolhimento e no silêncio, ao preço de longas meditações e de uma comunhão mais ou menos consciente com o mundo superior. A algazarra das cidades pouco convém à elevação do pensamento; ao contrário, a calma da natureza, a profunda paz das montanhas, facilitam a inspiração e favorecem a eclosão do gênio. Assim verifica-se uma vez mais o provérbio árabe: o ruído pertence aos homens, o silêncio pertence a Deus!
O espírita sabe que imenso auxílio à comunhão com o Além, com os espíritos celestes, oferece ao artista, ao escritor, ao poeta. Quase todas as grandes obras tiveram colaboradores invisíveis. Essa associação fortifica-se e acentua-se através da fé e da prece. Estas permitem que as forças do Alto penetrem mais profundamente em nós e impregnem todo o nosso ser. Mais do que qualquer outro, o espírita sente as poderosas correntes que passam nas frontes pensativas e inspiram idéias, formas, harmonias, que são côo o material do qual o gênio se servirá para edificar sua soberba obra.
A consciência dessa colaboração dá a medida de nossa fraqueza; ela nos faz compreender que parcela vem da influência de nossos irmãos mais velhos, de nossos guias espirituais, daqueles que, do espaço, debruçam-se sobre nós e nos assistem nos trabalhos. Ela nos ensina a nos maternos humildes no sucesso. É o orgulho do homem que esgotou a fonte das grandes inspirações. A vaidade, defeito de muitos artistas, torna insensível o espírito e afasta as grandes almas que consentiriam em protegê-los. O orgulho forma como que uma barreira entre nós e as forças do Além.
O artista espírita tem consciência de sua própria indigência, porém sabe que acima de si abre-se um mundo sem limites, pleno de riquezas, de tesouros incalculáveis, perto dos quais todos os recursos da Terra são apenas pobreza e miséria. O espírita tem também o conhecimento de que esse mundo invisível, se deste ele souber tornar-se digno purificando seu pensamento e seu coração, pode tornar mais intensa a ação do Alto, fazê-lo participar de suas riquezas através da inspiração e da revelação, e dela impregnar obras que serão como que um reflexo da vida superior e da glória divina.

Léon Denis - O Espiritismo na Arte

quarta-feira, 14 de abril de 2010

INFÂNCIA E ARTE OU ONDE SE INICIA A FORMAÇÃO DO ARTISTA ESPÍRITA








Daniela L. Pereira Soares *


“Creio que a arte deve ser praticada para ser apreciada, e ensinada em aprendizado íntimo. Creio que o mestre não deve ser menos ativo que o aluno. Pois a arte não pode ser aprendida por preceito, por uma instrução verbal qualquer. Ela é, falando com propriedade, um contágio, e se transmite como o fogo de espírito para espírito.”. (Read, 1986, p.15)

Em 1998 tive a oportunidade de participar pela primeira vez do FECEF – Festival da Canção e Arte Espírita de Franca/SP. Não era o primeiro encontro de artes que participaria, no entanto, aquele seria o que me impressionaria mais, durante todos esses anos.
Os estudos, as oficinas, o festival, o contato com diferentes artistas, tudo fora muito significativo, mas também bastante parecido com outros encontros que já havia participado anteriormente. No entanto, o que mais me chamou a atenção foram os bastidores de toda essa ação, o que colocava toda a engrenagem em funcionamento e fazia o encontro acontecer. Ali se viam crianças e adolescentes de todas as idades participando ativamente junto com seus pais (artistas-trabalhadores) em atuações artísticas, em serviços diversos que o evento exigia, ou simplesmente participando indiretamente, pois a presença de seus familiares ali naquele local, assim o exigia.
Pensei comigo, uma criança que cresce vendo o pai, a mãe, cantando, interpretando, estudando arte, tomará isso como algo comum e naturalmente irá se engajando em alguma atividade artística desde a infância e se não se tornar um futuro artista, crescerá sob o estímulo da beleza, de uma estética que fará diferença em sua vida adulta.
Até então só conhecia grupos de teatro/música onde a maioria eram adolescentes, ou jovens iniciando a fase adulta. Mas ali, pude ver concretamente, famílias inteiras engajadas em diferentes linguagens artísticas. Foi o exemplo que mais me marcou, a imagem mais bonita que trago comigo da vivência em arte espírita até os dias de hoje.
Cito os companheiros de Franca, mas sei que existem trabalhos belíssimos realizados em outras localidades envolvendo a infância, a juventude e a maturidade em atividades conjuntas que conjugam a arte e a Doutrina Espírita, realizando com toda certeza, mais um encontro de “espíritos” com objetivos afins do que um agregado de diferentes faixas etárias para uma atividade comum.


1. Infância e Arte

“Ó espíritas! compreendei hoje o grande papel da humanidade; compreendei que quando produzis um corpo, a alma que nele se encarna vem do espaço para progredir; sabei vossos deveres e colocai todo o vosso amor em aproximar essa alma de Deus.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap. XIV – p. 193)

Indo direto ao ponto, gostaria de refletir um pouco sobre a arte, a educação e a infância na casa espírita.
Vemos anualmente surgirem vários grupos de arte espírita onde os protagonistas são jovens e adultos, inúmeras discussões em torno da qualidade técnica dos espetáculos, do público alvo, às diversas maneiras de se atingir a mídia e expandir a difusão de uma arte espiritualizada, no entanto, poucas vozes se erguem para discutir o fazer arte de qualidade para crianças, a formação e valorização de grupos de arte espírita infantis visando o preparo estético e moral dos artistas do porvir.
No Livro dos Espíritos, na questão 385, os espíritos nos chamam a atenção para a importância e a finalidade da infância:

“... os Espíritos não entram na vida corporal senão para se aperfeiçoar, se melhorar; a fraqueza da pouca idade os torna flexíveis, acessíveis aos conselhos da experiência e daqueles que os devem fazer progredir. É quando se pode reformar seu caráter e reprimir-lhes as más inclinações; tal é o dever que Deus confiou aos pais, à missão sagrada pela qual deverão responder. Por isso a infância não é somente útil, necessária, indispensável, mais ainda ela é a conseqüência natural das leis que Deus estabeleceu e que regem o Universo.”

Como a própria Doutrina Espírita nos adverte, é sobre os pais que repousa a maior responsabilidade de educação e formação integral da criança, no entanto, por que não aproveitar esse momento tão importante na vida do espírito para lançar as bases de uma arte voltada ao aprimoramento e elevação dos seres?
No Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo VIII os Espíritos nos afirmam que a partir do nascimento, as idéias, tendências e impulsos que o indivíduo traz de existências pregressas, começam a se manifestar gradualmente, de acordo com o desenvolvimento dos órgãos, o que torna plausível a afirmativa de que: “... durante os primeiros anos, o Espírito é verdadeiramente criança, porque as idéias que formam o fundo do seu caráter estão ainda adormecidas. Durante o tempo em que seus instintos dormitam, ele é mais flexível e, por isso mesmo, mais acessível às impressões que podem modificar sua natureza e fazê-lo progredir... (p.114)”
Segundo ALVES (1997: 67), as experiências por que passa nesta existência, desde os primeiros meses, e mesmo durante a gestação, as vibrações que sente, os exemplos que observa, os livros que lê, enfim, tudo o que acontece à sua volta vai influenciar a criança, positiva ou negativamente.
Dessa forma, temos na infância o período mais propício para a educação em seu sentido integral e, por conseguinte, o momento mais importante para colocar a criança diretamente sob o estímulo da beleza, do bem e do belo, “já que neste período está mais acessível às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir aqueles que estão encarregados da sua educação.” (O Livro dos Espíritos, questão 383)

2. Educação e Arte
“Educar para a arte, com arte, pela arte, é, pois, colocar o indivíduo em contato com as forças mais profundas de sua alma – é trabalhar com camadas do inconsciente, é buscar o fio condutor que nos leva à essência de cada um. (INCONTRI – Pestalozzi 2009, p.125),

Antes de iniciarmos nossas reflexões sobre educação e arte, faz se necessário definir a concepção de educação e arte que irá nortear as idéias aqui esboçadas.
Ao falarmos em educação, nos referimos à formação integral do indivíduo, que abrange os seus aspectos bio-psico-social-espiritual, ou seja, o desenvolvimento da inteligência, sentimento, vontade.
Esta idéia de educação se refere não apenas a educação formal, mas também e mais fortemente a educação ou evangelização espírita, alicerçada na Doutrina Espírita que se assenta nos aspectos – científico, filosófico e religioso maravilhosamente integrados.

“O Espiritismo deverá reformular os padrões da Educação humana...”
“... O Espiritismo confere à ação educativa – a meta espiritual. Desfazem-se os objetivos educacionais puramente terrenos, esses que pretendem fazer do homem uma pessoa bem ajustada aos padrões da sociedade vigente. Projetam-se objetivos para o infinito. Trata-se de formar homens bem ajustados às Leis de Deus – eternas e cósmicas – muito superiores e muito mais importantes ao Espírito do que as leis e os costumes humanos, passageiros e sujeitos às decepções da marcha do progresso.” (INCONTRI – Léon Denis, 1997, p.216)

Compartilhando as idéias de Alves (2000: p.24) acreditamos que o movimento de evangelização infantil não pode definir seus objetivos somente como o desenvolvimento moral do indivíduo, pois isso seria apenas parte do processo, deixando de lado a outra asa da evolução humana – a razão. Em consonância com o Espiritismo e as concepções de educação apresentadas por Walter Oliveira Alves, em seu livro Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita, entendemos que em “síntese, a educação tem como objetivo auxiliar a evolução do Espírito”.
Estas idéias de educação como formação integral do ser, embasadas na Pedagogia Espírita, parecem vir de encontro com o pensamento esboçado por Platão, como nos afirma SOUSA (2003):
“Esta educação holística, que parece ter sido inicialmente tentada por Pitágoras na sua escola de Crotona, terá recebido de Sócrates a perspectiva da formação através do autoconhecimento, influenciando ambos as posições platônicas de uma educação voltada para a formação da pessoa no seu todo, objetivada para sua evolução.” (SOUSA, 2003, p. 11)

Platão, afirmava ainda, a importância de uma educação artística no seu sentido mais amplo e suas idéias em relação ao estado da latência da razão no período da infância vêm na mesma direção do que afirma a Doutrina Espírita: “quando ele (espírito) é criança, é natural que os órgãos da inteligência, não estando desenvolvidos, não podem dar-lhe a intuição de um adulto. Ele tem, com efeito, a inteligência muito limitada enquanto a idade faz amadurecer sua razão...” (Livro dos Espíritos, na questão 380).

“Uma (educação artística) é a única que dá harmonia ao corpo e enobrece a alma... devemos fazer Educação com base na arte logo desde muito cedo, porque ela pode operar na infância durante o sono da razão. E quando a razão surge, a Arte terá preparado o caminho para ela. Então ela será bem vinda, como um amigo cujas feições essenciais têm sido há muito familiares.” (in Fedro)

Essa relação entre Educação e Arte, que como pudemos observar vem desde a Grécia Antiga, berço da cultura Ocidental, vem se desenvolvendo e acompanhando o avanço do pensamento de alguns teóricos da educação, da psicologia e da arte ao longo dos tempos. Dentre estes pensadores, destacamos as idéias de Herbert Read , cuja obra “Education Through Art (1942)”, exerceu grande influência não apenas no campo da educação artística, como da educação de forma geral. SOUSA (2003), citando Read nos diz que, retomando as idéias de Platão, de que a arte deveria ser à base de toda a educação, H. Read clarifica conceitos como os de educação e de arte, analisando a sua união indissolúvel e a sua importância em todos os níveis do desenvolvimento da pessoa.

“Quando se refere ao papel da arte na educação geral do homem, H. Read não se refere ao campo limitado do “ensino das artes” nem apenas ao campo exclusivo das artes visuo-plásticas. Ele refere-se muito nitidamente há algo muito mais vasto, a uma “educação estética” como uma educação englobando todos os modos de expressão individual: musical, dançada, dramática, plástica, verbal, literária e poética. Uma educação estética em que se realize, no seu pleno sentido, a relação harmoniosa do ser humano com o mundo exterior, para se poder chegar a construir uma personalidade integrada, ou seja, ligada a situações e a valores que obrigam o indivíduo a tomar com independência as suas próprias resoluções.” (SOUSA, citando READ 2003, p. 25)
Concordando com este pensamento, numa ótica mais contemporânea da educação, temos DUARTE (2000), afirmando que “o desenvolvimento de uma consciência estética no indivíduo tem um significado muito mais amplo do que a simples apreciação da arte. Ela compreende justamente uma atitude mais harmoniosa e equilibrada perante o mundo, em que os sentimentos, a razão e a imaginação se integram; em que os sentidos e valores dados à vida são assumidos no agir cotidiano.”
Não queremos, com os pensamentos esboçados ao longo de nosso texto, dizer que a arte não tem importância em si mesma, isso seria negar o que acreditamos e as próprias idéias trazidas pelo Espírito de Massenet em “O Espiritismo na Arte”, de Léon Denis. Mas desejamos também pensar a arte como atividade estética, o que a alia perfeitamente com a educação, sem de forma alguma ferir os conceitos de arte expressos pelas obras espíritas, mas reafirmá-los, trazendo da mesma forma, novas concepções de arte, as propostas educacionais espíritas.
Além disso, buscando apoio em estudiosos da Arte e Educação, citamos outros benefícios que a arte oferece as nossas crianças:

Eisner entende que, ao realizarem atividades artísticas, as crianças desenvolvem auto-estima e autonomia, sentimento de empatia, capacidade de simbolizar, analisar, avaliar e fazer julgamentos e um pensamento flexível; também desenvolvem o senso estético e as habilidades específicas da área artística, tornam-se capazes de expressar melhor idéias e sentimentos, passam a compreender as relações entre partes e todo e a entender que as artes são uma forma diferente de conhecer e interpretar o mundo. (Almeida, 2001, p. 14).

A Pedagogia Espírita, dentro do pensamento ALVES (2000), vai além destas assertivas, indo além dos cinco sentidos, levantando outras vivências que a arte pode oferecer a criança:
• A arte é forte elemento de interação vertical, onde a alma interage com as energias espirituais superiores, propiciando a criança o desenvolvimento de seu potencial anímico e ampliando sua faixa vibratória;
• Estimula a capacidade criativa, traçando ao mesmo tempo canais para sua expressão;
• É uma forma de crescimento interior e desenvolvimento das potências da alma;
• Representa forte elemento de estímulo a energia criadora do Espírito, que é uma das maiores forças que impulsiona a evolução;
• Sensibiliza e oferece estímulo à vontade direcionada para os ideais superiores;
• Pode liberar energias bloqueadas, canalizando-as para níveis superiores e estimulando essa energia a vibrar de forma superior;
• Pode ser usada como terapia, liberando bloqueios, causas profundas de estados depressivos;
• Propicia a vivência de estados vibratórios ou sentimentos que o intelecto apenas, por si só, não atingiria.

A arte vem ganhando espaço dentro das instituições espíritas, mas ainda há muito caminho pela frente para que ela ocupe o lugar e a importância que merece, em especial na evangelização espírita infantil. Concordando com BARBOSA (1975), pelos próprios conteúdos afetivos que mobiliza, a arte pode ser um poderoso auxiliar para o enriquecimento de outros conteúdos, em nosso caso, do ensino da Doutrina Espírita aos pequeninos, e são firmemente aceitos os objetivos relacionados com ênfase dessa função na arte-educação. No entanto, ligar a arte a outros assuntos através de mera proposição temática a torna algo secundário, desempenhando apenas papel ilustrativo ou meramente concretizador de conteúdos predominantemente intelectuais, o que a nosso ver não comporta a proposta grandiosa que a arte reserva a todo ser humano.

3. Formação do artista espírita: algumas reflexões

“Se o ser humano desde o nascimento estiver preso a um ideal, podemos calcular os novos tesouros que a ele se prenderão. A arte ideal é uma forma de prece, seu pensamento atrairá amigos invisíveis bastante elevados e para estes será fácil realçar o brilho da chama acesa anteriormente, e da alma do artista brotarão obras inspiradas pelo belo e pelo divino.”
(O Espiritismo na Arte. p. 30)

Falar da formação do artista espírita parece algo pretensioso, mas nossa proposta é apenas, lançar algumas reflexões a partir dos pensamentos já pontuadas no início deste artigo.
Como pudemos verificar, de acordo com a Codificação Kardequiana, na infância temos o período mais propício à educação do ser humano, Espírito eterno que retorna as lides terrenas para nova etapa evolutiva.
Da mesma forma, associando a arte, a educação, no sentido de formação integral do ser, temos instrumento capaz de propiciar avanço e progresso ao Espírito reencarnado, semeando desde cedo em sua alma, elementos que lhe propiciem um desenvolvimento mais harmonioso ou estimulando o desabrochar de um futuro artista, cujas tendências sejam direcionadas desde o primeiro instante à busca do bem, do belo e da perfeição em si e em suas obras. Eis um trabalho delicado nos afirma Pestalozzi, através da mediunidade de Dora Incontri, “pois é preciso alimentar essas almas que voltam, com ideais muito nobres, para que esse poder criador se torne impulso de construção e ascensão e não de perturbação e queda”. (INCONTRI – Pestalozzi, 2009, p.125)
Por que então, não intensificar ações em torno de uma educação artística voltada à criança, tendo em vista tanto sua dimensão humana, quanto sua formação enquanto futuro artista propriamente dito?

“Deixai que as crianças bebam nas fontes mais puras da Arte terrestre... Que elas possam exercitar a sua sensibilidade, ouvindo as melodias mais doces jamais feitas; olhando as cores e as luzes mais sutis já tecidas; declamando os poemas mais elevados jamais compostos; sentindo as produções mais próximas da divindade que o homem já atingiu. Fazei isso com todas elas e se não tiverdes no futuro todos os homens literalmente artistas, tê-lo-eis moralmente melhores e mais criativos.” (INCONTRI – Schiller, 1997, p. 215)

Longe de menosprezar os numerosos grupos formados por jovens e adultos, que envergam tamanha importância dentro do movimento espírita brasileiro, espargindo a mensagem espírita-cristã envolvida em ideais de beleza, harmonia e perfeição, que projetam do esforço pela própria melhoria íntima, vemos na criança a semente do amanhã.
Quantos esforços temos visto em nossos irmãos de ideal em torno da implantação da arte nas casas espíritas, como atividade séria e tão importante quanto às demais atividades. Quanto ainda há de se fazer neste sentido e como já sonhamos com um futuro envolto nas claridades advindas da música, da dança, do teatro, das artes plásticas, da literatura espiritualizadas e conduzindo os seres ao altar da perfeição e da busca de Deus.
Impossível não ver na criança o germe deste futuro, que nasce da educação e do direcionando que lhe outorgarmos hoje.
Quantas reflexões sobre o que é e como fazer arte espírita têm nos incitado a mudanças, quantas transformações nossos grupos de arte espírita tem forjado em nós mesmos através dos ideais que esposamos, da busca incessante pela vivência daquilo que propagamos com nossa arte?
Por que não acendermos essa chama nos mais pequeninos, que ainda se encontram mais flexíveis e mais propensos as impressões que lhes poderão servir de adiantamento?

“Acendei luzes de beleza aos olhos e aos ouvidos das crianças. Mostrai-lhes imagens elevadas, cantai com elas canções harmoniosas, com substância estética! Não penseis poder vos contrapor à enxurrada de lixo em vosso mundo com hinos ingênuos, com odores de incenso e com tolices moralizantes! Deveis ofertar o melhor, o elevado de um Bach, o literário das histórias bem escritas, a poesia dos poetas que souberam ser geniais e sensíveis. Mas sobretudo, tende para com as crianças o exemplo vivo da busca de beleza moral e de estatura existencial, para que possais semear em seus corações o desejo de perfeição!...” (INCONTRI – Pestalozzi, 2009, p. 121)

Longe de abranger toda a extensão que este assunto encerra, finalizamos deixando o convite para que possamos fazer mais arte voltada à criança e com a criança.
Não nos esqueçamos de que já fomos criança um dia e de que amanhã, em novo porvir, estaremos aqui de novo, a espera de braços que nos acolham e de mãos que nos conduzam a novos horizontes através da arte enobrecida que nos edifica e eleva à ascensão a que todos fomos predestinados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALMEIDA, C.M.C. Concepções e Práticas Artísticas na Escola. In: FERREIRA, S. (Org.) O Ensino das Artes : Construindo Caminhos. Campinas : Papirus, 2001, p.11-37.

ALVES, W. O. A educação do Espírito 1.ed. Araras: IDE, 1997, p. 309p.

ALVES, Walter Oliveira. Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita: Teoria e Prática. 1ª ed. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 2000.

BARBOSA, A. M. Teoria e Prática da Educação Artística. 1.ed. São Paulo: Cultrix, 1975, 114p.

DUARTE, J. F. Fundamentos Estéticos da Educação. 6.ed. São Paulo: Papirus, 2000, 150p.

INCONTRI, Dora. A Educação segundo o Espiritismo. 1.ed. São Paulo: Edições FEESP, 1997

INCONTRI, Dora. Meditações J. H Pestalozzi. 1.ed. Bragança Paulista:Editora Comenius, 2009

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo.. 284ª ed. Araras/SP: IDE, 2003.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 156ª ed. Araras/SP: IDE, 2005.

PLATÃO. A República: Livro III 1. ed. Editora Martin Claret, 2002

READ, H. E. A educação pela arte. 3.ed. São Paulo : Martins Fontes, 1958, 354p.

SOUSA, Alberto B. Educação pela arte e artes na educação: Bases Psicopedagógicas. Lisboa: Instituto Piaget, 2003.

READ, Herbert, disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Herbert_Read

* Daniela L. P. Soares é graduada em Pedagogia pela UNESP – Universidade Estadual Paulista, e atualmente está terminado uma Especialização em Educação Musical e um curso de formação em Pedagogia do Movimento para o Ensino da Dança, ambos pela UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais. Foi coordenadora do Grupo Espírita de Dança Evolução de 1995 a 2004, co-fundadora do Grupo Espírita de Dança Reforma Íntima em Vitória/ES (2006/2007), é coordenadora do Grupo Espírita de Dança Iluminar em Ribeirão das Neves/MG desde Setembro de 2008. Foi idealizadora da I Mostra Espírita de Dança “ Oficina do Espírito” em 2001, que está em sua 9ª edição.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Mostra Espírita de Dança 2010: Prepare-se!

Olá, artistas!
Olá, bailarinos de todo Brasil!!!
Preparem as sapatilhas, pois vem aí ...
IX Mostra Espírita de Dança
Arte na Casa Espírita:
Novas formas de ver, nova estética no ser
13, 14 e 15 de novembro de 2010
Local: Instituto de Difusão Espírita - IDE
Rua Emílio Ferreira, 177 - Centro - Araras/São Paulo
A Mostra é composta por módulos de estudo sobre o tema proposto, oficinas de aprimoramento envolvendo teoria e prática da dança, além de apresentações de Grupos Espíritas de Dança de todo o Brasil!
Os bailarinos pagam uma taxa de inscrição referente a alimentação e a hospedagem é realizada no local do evento ou em uma escola gratuitamente. Os que tiverem interesse, podem ficar em hotéis, no entanto, neste caso, a hospedagem fica por conta dos interessados.
Em breve, maiores informações sobre inscrições para grupos e participantes individuais.
Este ano teremos o
II Curso - Dançando com a Alma: O Trabalho do Coreógrafo no Grupo Espírita,
Voltado coordenadores e coreógrafos de grupos espíritas de dança. O curso deste ano será dirigido à aqueles que não participaram no ano anterior. ( Em breve, notícias sobre inscrições e vagas, que são limitadas!)
Para 2011 já está previsto o módulo 2, para aqueles que participaram do I Curso de Formação de Coreógrafos em 2009.
Comece a se preparar desde já e venha ajudar construir a história da dança espírita brasileira!
Maiores informações: Camila Tavine (coordenadora da mostra)
nylica@hotmail.com


Abraço a todos,
Daniela L. P. Soares

http://dancaespirita.wordpress.com/

Grupo Espírita de Dança Iluminar estréia seu novo espetáculo


O Grupo Espírita de Dança ILUMINAR, de Ribeirão das Neves/MG ( grande Belo Horizonte) estréia sábado, dia 03 de Abril seu novo espetáculo – “Chico: Mandato de Amor”.

O grupo vem se preparando desde Novembro de 2009, para a sua primeira montagem. O Grupo que já apresentou diversas coreografias como: Regenerarte, Armadura e Vibração, encara agora o desafio de apresentar um espetáculo que se compõe de performances e várias coreografias cuja tema central é a vida e obra de Francisco Cândido Xavier.

Para o espetáculo, o elenco realizou extensa pesquisa sobre a bibliografia do autor e de outras obras de apoio.Vivências corporais diversas foram necessárias e muitos ensaios. Além disso, contou com a ajuda de uma equipe de amigos e colaboradores para a parte de sonoplastia, cenografia e apoio técnico, sem a qual o espetáculo não seria concluído.

O elenco é bem eclético e conta com a participação de bailarinos que estão iniciando sua aprendizagem artística e de alguns “veteranos”, que já participam há um ano e meio das aulas técnicas. As idades também são bem variadas, reunindo meninas de 9, 10 anos, adolescentes e adultos que iniciaram dança há pouco tempo. Mais uma vez, vemos a arte unindo, transformando e elevando.

O grupo está bem animado com a montagem, ansiosos para a estréia, mas também muito centrados na perspectiva de mudança e sensibilização que o espetáculo incita e que segundo, os próprios bailarinos, inicia com a disposição de mudança e esforço da vivência evangélica neles mesmos.

A apresentação ocorrerá no IV COJEALTO, o endereço para os interessados segue abaixo:

DATA: 03/04/2010 (sábado)

LOCAL – Escola CAIC

Rua Francisco Ferreira de Resende, 333
Bairro São João - na cidade de Conselheiro Lafaiete/MG

Horário: 13:oo horas

Contato para apresentações: almanova@ig.com.br